Destaques — 28 maio 2019
HIPOMINERALIZAÇÃO DE MOLARES

A hipomineralização é um defeito do esmalte dentário que pode afetar dentes permanentes e decíduos e é resultado da interrupção da formação do esmalte durante o seu desenvolvimento.

As hipomineralizações do esmalte dentário que apresentam contorno definido e coloração que pode variar entre branco, amarelo ou castanho são conhecidas na dentição permanente como hipomineralização de molar e incisivo (HMI) por afetarem prioritariamente os primeiros molares e, em alguns casos, os incisivos permanentes. Este defeito pode afetar também os molares decíduos (hipomineralizacao de molares decíduos – HMD) e, às vezes, as cúspides de caninos decíduos. É considerada uma hipomireralização idiopática que afeta de um a quatro segundos molares decíduos e por essa razão tem sido também denominada hipomineralização de segundo molar decíduo (HSMD).

Características Clínicas
As opacidades de esmalte relacionadas à hipomineralização apresentam-se clinicamente como uma alteração da translucidez do esmalte, com bodas bem definidas que demarcam claramente o limite entre o esmalte normal e o esmalte afetado. Por isso, são chamadas de opacidades demarcadas e diferem das opacidades relacionadas à fluorose, que têm aspecto difuso. Apresentam espessura normal, superfície lisa e coloração que pode variar do branco ao amarelo ou marrom.

Implicações para a Prática Clínica
A redução de conteúdo mineral nas áreas afetadas pela hipomineralização contribui para o aumento de sensibilidade às variações de temperatura, que pode manifestar-se como sensação dolorosa durante a escovação e alimentação. Relatos de desconforto ao ingerir alimentos frios ou até mesmo ao respirar ar mais gelado ocorrem logo após a irrupção dos dentes.

Os defeitos podem se romper devido às as forças mastigatórias, deixando a dentina exposta e favorecendo o surgimento de lesões de cárie. Correlação positiva entre HMD e cárie nos segundos molares decíduos tem sido observada. Crianças com HMD chegam a ser 3 vezes mais propensas a apresentar segundos molares decíduos afetados por cárie.

Crianca com HMD têm de 4 a 5 vezes mais chances de apresentar HMI nos dentes permanentes. Como os segundos molares decíduos irrompem pelo menos 4 anos entre os primeiros molares permanentes, a HMD é considerada um indicador ou um alerta para a possibilidade de ocorrência de HMI. A importância deste alerta está no fato de que o diagnóstico precoce da HMI possibilita a introdução de medidas preventivas para a preservação do esmalte afetado.

Tratamento
A hipomineralização é considerada um fato de risco de cárie dentária; portanto, a abordagem das hipomineralizações de molares decíduos deve estar direcionada a um diagnóstico precoce, cuidados preventivos e procedimentos restauradores conservadores.
O risco de cárie e a deficiência na higiene bucal são maiores em crianças com defeitos de HMD severos. Assim, é importante que os pacientes e seus pais sejam orientados sobre o alto risco de desenvolver cárie e de ocorrência de fratura nos dentes afetados. Os cuidados preventivos básicos devem incluir as mesmas orientações pra a prevenção e o controle de cárie dentária, com a recomendação de que os intervalos entre as visitas de acompanhamentos sejam menores.

-Aconselhamento da dieta reduzindo a frequência do consumo de açúcares.
-Escovação supervisionará com pasta fluoretada.
-Aplicação tópica de flúor.
-Monitoramento a cada 3 meses.

Conclusão
HMD predispõe à sensibilidade e à cárie, além de sem um preditor de HMI. Consequentemente, as crianças com HMD necessitam de mais atenção. O clínico deve estar atento para fazer o diagnóstico e registrar no prontuário do paciente. Na presença de HMD, recomenda-se exames de revisão em intervalos menores e atenção especial na fase de erupção dos primeiros molares permanentes

Odontopediatria : evidências científicas para a conduta clínica em bebês e pré-escolares / Marcelo Bönecker…[et al.] – – São Paulo : Quintessence Editora, 2018.

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Marta Meireles

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