Destaques — 27 março 2015
Cuidados de biossegurança no consultório odontológico

Os cuidados pré operatórios e pré-clínicos em Odontologia são tão importantes como as manobras preventivas e curativas.  O protocolo usado no ambiente operatório faz parte desses cuidados.

O campo da pesquisa que discute este assunto é chamado de biossegurança. A biossegurança começou a despertar interesse a partir de evidências científicas demonstrando a possibilidade de ocorrer infecções cruzadas e a improbabilidade de se trabalhar em um ambiente completamente estéril. Diferentes manobras de biossegurança são aplicadas na prática diária como, por exemplo, barreiras mecânicas, métodos de esterilização e uso de desinfetantes de superfície com o intuito de controle da assepsia.

Perigosas infecções ligadas à prática odontológica não são um recente problema.Cirurgiões-dentistas estão expostos a uma ampla variedade de microorganismos presentes no sangue e na saliva dos pacientes.

As principais enfermidades citadas na literatura são: Hepatite B, Tuberculose, Herpes, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), Hepatite C, Sífilis, Tuberculose, Parotidite virótica (caxumba), Rubéola, Influenza (gripe) e Varicela (catapora).

Acredita-se que as cirurgias orais possuem risco elevado para a infecção do vírus da hepatite B em virtude da possível contaminação por gotas de sangue e saliva. O equipamento contaminado pode permanecer infectado por longos períodos devido à longa sobrevivência do vírus, e sua elevada contagem presente no sangue do paciente. A transmissão do vírus da hepatite B é rara nos casos em que um protocolo de controle de infecção é seguido. Da mesma forma o risco de contrair o HIV nos procedimentos odontológicos também é pequeno.  Uma vez que a AIDS e a hepatite C são as doenças que representam maiores riscos, pois não existem vacinas disponíveis para prevenir e/ou curar a infecção. É necessário conhecer as técnicas de controle de infecção, pois não se pode identificar todos os potenciais portadores da AIDS.

Entre algumas medidas que fazem parte desse protocolo de biossegurança estão:

Os cuidados com o paciente que implicam em solicitar que o paciente faça um bochecho com solução antisséptica antes de intervenções, fazer antissepsia da face nos casos de preparo para cirurgia intrabucal. Utilizar campo descartável.

Bochecho

Quanto aos profissionais e pessoal auxiliar devem após lavar as mãos, secar com papel toalha e colocação nos equipamentos de barreiras que interrompam a rota de contaminação. As principais barreiras são:

O gorro (procedimento obrigatório ao usar equipamentos geradores de aerossol- alta rotação ou nas intervenções cirúrgicas), avental de mangas longas, máscara , óculos de proteção, luvas e campos descartáveis para os instrumentais.

Utilização sobre-luvas descartáveis para manipular qualquer material fora do campo operatório.

Colocação de barreiras descartáveis nas seguintes superfícies:

Alça do refletor, pontas da unidade de sucção, alças do carrinho auxiliar, canetas de alta rotação, seringa tríplice.

Essas barreiras devem ser trocadas a cada paciente.

Material empregado em polimento como lixas, discos, devem ser descartados. As brocas e pedras montadas que não são descartáveis devem ser autoclavadas.

Em relação ao consultório: o piso deve ser limpo com um desinfetante à base de fenol sintético ou hipoclorito de sódio diariamente. A superfície dos equipamentos que possam ser tocados pela equipe devem ser de desinfetados a cada paciente, assim como a bancada. O desinfetante indicado é à base de fenol sintético ou álcool 70.

Em relação ao instrumental este deve ser autoclavado, mas antes disso ele deve sofrer um preparo para remover material orgânico (sangue, secreções), que pode ser feito deixando-o imerso em uma cuba com solução enzimática (10 minutos) ou desencrostante (20 minutos), ou ainda, ultra-som com solução enzimática ou desencrostante.  Ao final, o material é removido com uma pinça e lavado em água corrente. Deve ser seco usando secadora de ar ou pano específico para isso. Depois disso, devem ser embalados e autoclavados.

Autoclave

De forma geral, esses são os principais cuidados. O paciente deve cobrar isso dos profissionais e o acesso à informação é a melhor ferramenta para isso.

* Lúcia Coutinho

“As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e o acompanhamento de Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Pediatria e outros especialistas”

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Marta Meireles

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