Destaques — 18 outubro 2014
Mordida aberta anterior

A mordida aberta anterior (MAA) é caracterizada pela ausência localizada de contato oclusal na região anterior, enquanto os dentes restantes estão em oclusão.

A MAA é mais comum na dentadura decídua, e acomete cerca de 35% das crianças e 3,5 % dos indivíduos entre 8 e 17 anos.

A etiologia da MAA é complexa e multifatorial. Essa maloclusão se desenvolve devido à interação entre diversos fatores etiológicos, tanto genéticos quanto de natureza ambiental. As causas ambientais incluem interferências mecânicas na irrupção dos dentes e crescimento alveolar (hábitos de sucção não nutritiva e postura da língua) O aspecto circular e a restrição na região dos incisivos evocam a sucção como etiologia e conferem à mordida aberta a conotação de dentoalveolar.

Mordida aberta

Em contrapartida, a displasia esquelética vertical é uma característica comum entre os indivíduos que apresentam mordida aberta esquelética e está relacionada às causas genéticas. O aspecto mais difuso e retangular da MAA apresenta uma etiologia relacionada com o crescimento facial. A característica da face longa na determinação da mordida aberta anterior confere a conotação de esquelética.

Posicionamento lingual atípico

A interposição lingual entre os arcos dentários durante a fonação, a deglutição ou o repouso é considerada uma anormalidade.

O posicionamento lingual atípico primário (fator etiológico determinante da maloclusão), a MAA tem um formato mais retangular ou difuso. Pode acometer os dentes anteriores e posteriores, apresenta prognóstico desfavorável e exige exercícios fonoarticulatórios para a reeducação lingual.

Interposição lingual

Os incisivos superiores e inferiores podem apresentar-se vestibularizados e com diastemas generalizados. Essa postura anteriorizada da língua desse músculo, da presença de amígdalas palatinas hipertrofiadas, de distúrbios neuromusculares associados a algumas síndromes e da macroglossia.

O posicionamento lingual atípico secundário, ou deglutição adaptada, caracteriza-se pelo movimento da língua no espaço aberto entre os dentes superiores e inferiores com o intuito de vedamento durante a deglutição. Nesses casos, a língua não está em repouso entre os dentes.

A deglutição adaptada é, então, na maioria dos casos, uma forma de adaptação ao problema existente (sucção de chupeta, de lábios, etc). Assim, pode contribuir para manter ou agravar a alteração morfológica preexistente. A falta de adaptação da postura lingual, após a correção da maloclusão, pode estar associada à tendência de recidiva, embora pressões dos lábios e da língua durante a função (deglutição, fala, mastigação, etc) sejam, relativamente, fatores não determinantes na maloclusão.

Fonte: Lages, E. M.B., Madureira, D.F., Da Costa, G. C., Abreu,L.G., Rocha Jr.J.F. , DE Menezes, L.F.S., 
Drummond,A.Melgaço, C.A., Pretti, Henrique.Ortodontia e odontopediatria: conceitos atuais para uma correta 
intervenção. Odontopediatria/ organizadores, Léo Kriger, Samuel Jorge Moysés, Simone Tetu Moysés; coordenadora, 
Martia Celeste Morita; autores Isabela Almeida Pordeus, Saul Martins Paiva- São Paulo: Artes Médicas,2014.

“As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e o acompanhamento de Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Pediatria e outros especialistas”

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Marta Meireles

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