Destaques — 13 maio 2014
Tratamento para mordida aberta anterior em crianças

As oclusopatias podem ser definidas como anomalias do desenvolvimento dentário e/ou arcos dentários, tendo como características clínicas alterações estéticas e funcionais. Além das condições funcionais adquiridas, o desenvolvimento osteogênico, a hereditariedade e o estado geral de saúde da criança são fatores que também contribuem para a instalação e/ou agravamento das oclusopatias.

A mordida aberta é considerada a oclusopatia de maior comprometimento estético-funcional, caracterizada por sobremordida negativa entre as bordas incisais anterossuperiores e anteroinferiores, podendo apresentar, além das anomalias dentárias, as esqueléticas.

Outros prejuízos como dificuldade de apreensão dos alimentos e alteração na pronúncia de fonemas são possíveis de perceber. Além disso, mordidas abertas podem acarretar algum tipo de impacto negativo no aspecto psicológico da criança ou adolescente.

A associação entre oclusopatia com mordida aberta e alterações nas funções de fonoarticulação e deglutição, recebem maior destaque na associação com a respiração bucal em razão da gravidade de alterações e ela associadas, como a apneia obstrutiva do sono e alterações posturais.

Os fatores ambientais seriam: hábitos bucais deletérios como sucção de dedo, chupeta ou outros objetos, respiração bucal, anquilose dentária, anormalidades no processo de irrupção dos dentes anteriores, função anormal ou crescimento desproporcional da língua (macroglossia), desequilíbrio entre a língua e lábio.

Outras causas associadas à mordida aberta, mas de menor importância são: arco superior atresiado com mordida cruzada uni ou bilateral e uso de mamadeiras na alimentação em idades precoces. Alguns autores verificaram que a chance da criança apresentar mordida aberta anterior era 9,2 vezes maior entre as crianças que praticavam algum hábito de sucção em relação àqueles que não possuíam hábitos de sucção.

Um dos fatores genéticos que contribuem de forma preponderante na instalação da mordida aberta é o padrão de crescimento vertical predeterminado, como por exemplo, a displasia esqueletal, que é considerada um tipo básico de desproporção de crescimento vertical, constituindo assim uma síndrome diferente da displasia dentoalveolar.

Além disso, alterações clínicas das vias respiratórias superiores podem estar presentes. Nesses casos, amígdalas e adenóides hipertrofiadas evitam que a língua se mova posteriormente durante a deglutição e respiração bucal por amigdalite crônica e alergias.

Quando houver a perda prematura dos dentes anteriores da criança, indica-se a construção e instalação de um aparelho mantedor de espaço estético-funcional, que manterá o espaço da extração, restabelecerá a estética e a função mastigatória e também impedirá a ocorrência de hábito de interposição lingual, podendo promover a mordida aberta e até mesmo a função muscular inadequada.

A avaliação cefalométrica de um indivíduo com mordida aberta anterior inclui medidas do ângulo goníaco, planos oclusal e mandibular aumentados. Além disso, é possível observar o plano palatal inclinado no sentido anti-horário, corpo e ramo mandibular curtos, altura facial anteroinferior aumentada, altura facial anterossuperior diminuída, distancia Básio-Násio curta, mandíbula retruída, altura facial anterior aumentada e altura facial posterior diminuída (combinação), tendência classe II, planos cefalométricas divergentes e base craniana anterior inclinada no sentido anti-horário.

As mordidas abertas anteriores podem ser classificadas como: dentárias, dentoalveolares e esqueléticas, de acordo com o grau de acometimento das estruturas envolvidas.

Tendo em vista a natureza ampla dos fatores etiológicos da mordida aberta anterior, que envolve componentes hereditários e fatores ambientais, o tratamento desta oclusopatia pode tornar-se complexo.

Após o correto diagnóstico da mordida aberta, várias condutas podem ser indicadas visando à melhora do padrão facial do paciente. Assim, a resolução dessas alterações pode envolver procedimentos simples, como a remoção de um hábito bucal deletério.

As medidas terapêuticas incluem desde o uso de grade palatina, aparelhos ortopédicos, aparelho extrabucal mentoneira com tração alta, bite blocks, extração dentária, mini-implantes e miniplacas de titânio com sistema de ancoração esquelética (SAS) até procedimento mais invasivo como a cirurgia ortognática.

A importância de diagnosticar e remover os fatores causais das oclusopatias, prevenindo-as em idades precoces ou até garantindo a estabilidade da correção ortodôntica , deve ser promovida com orientação e esclarecimento aos pais. Essas desordens tendem a agravar a oclusopatia com o aumento da idade, o que reforça a veracidade da teoria de Moss, que aponta as alterações funcionais como fatores preponderantes na etiologia das alterações dentocraniofaciais.

O conceito de reabilitação neuro-oclusal descrito pelo Dr. Pedro Planas é de baixo custo e de fácil implantação, tornando-se uma grande arma para o controle da oclusopatia, tanto na saúde pública como na clínica diária, pois, infelizmente, a classe menos favorecida economicamente não tem acesso ao tratamento corretivo ou reabilitador.

* Fonte:  Imparato, J.C.P. - Livro - Odontopediatria: pratica de saúde baseada em evidências, 1ed.São Paulo. Elsevier,2012

“As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e o acompanhamento de Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Pediatria e outros especialistas”

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Marta Meireles

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