Destaques — 29 março 2014
Alternativa ao tratamento restaurador

As pesquisas cientificas atuais em relação à cárie mostram que as lesões iniciais de cárie progridem lentamente, sendo passíveis de controle por parte do profissional, algumas lesões podem ser paralisadas por meio do uso de fluoretos e outras medidas não invasivas.

Estas pesquisas alteraram a visão dos odontopediatras e colocaram-no diante de novas questões: quando restaurar as lesões de cárie e quando apenas controlá-las, sem nenhuma intervenção invasiva? Hoje a odontologia deve ser minimamente invasiva.

Diante das novas pesquisas sabe-se que a doença cárie pode ser prevenida, controlada ou mesmo revertida. Para se obter sucesso nessas ações é fundamental entender as causas e os possíveis fatores de risco da doença.

O estabelecimento da lesão de cárie e a sua progressão são resultantes do desequilíbrio do processo de des-remineralização, (perda e reposição mineral do esmalte, a perda provocada pelos ácidos resultantes do metabolismo bacteriano na superfície do dente e a reposição feita pela saliva) o que acarreta a perda mineral dos tecidos dentários.

Para se controlar a evolução do processo carioso nos estágios iniciais, o profissional deve controlar a placa ou biofilme dental, além de modificar o processo de dissolução do conteúdo mineral dos tecidos dentários. Para isso, deve-se reforçar a qualidade da higiene bucal, frequência alimentar e composição da dieta, composição e fluxo salivar e uso de fluoretos.

É imprescindível a cooperação do paciente e o tratamento é absolutamente individualizado.

A decisão da necessidade ou não de intervenção invasiva com fins restauradores é extremamente importante no contexto geral do tratamento. Essa decisão terá repercussões importantes, uma vez que definidas as intervenções invasivas, as consultas tornam-se mais complexas.

Os procedimentos restauradores deverão, então, devolver a condição biológica do dente tanto sob o aspecto estético como funcional.

Para a decisão terapêutica é necessária a combinação de um exame clínico detalhado com o radiográfico.

É preciso avaliar a extensão, profundidade e atividade da lesão. Considera-se também a face do dente atingida: oclusa (face da mastigação), proximal (laterais direita e esquerda do dente) e/ ou superfície lisa (frente e trás do dente) e o ciclo biológico do dente decíduo em questão, além das repercussões funcionais.

Em lesões de esmalte, devido á progressão lenta das lesões, e levando-se em conta todos os fatores citados anteriormente pode-se estabelecer o monitoramento vigilante das mesmas.

Quando houver cavidade, a lesão deve ser restaurada, em razão da dificuldade de remoção de biofilme nesse nicho específico.  A opção por um tratamento invasivo deve, sem dúvida, ser indicada na presença de dor (provocada ou espontânea), ou quando há comprometimento funcional e estético.

O que precisa ser lembrado é que independentemente da decisão de utilizar técnicas invasivas ou não, a atuação direta nos fatores causadores e protetores da doença visando o controle do biofilme é imprescindível.

* Lúcia Coutinho

“As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e o acompanhamento de Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Pediatria e outros especialistas”

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Marta Meireles

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