Destaques — 15 março 2014
O uso de selantes em odontopediatria

Os selantes são materiais com características adesivas, que analisados sob a óptica da promoção de saúde, constituem-se em medidas não invasivas de controle dos fatores causadores da doença cárie.

Atuam como uma barreira mecânica que impede o contato direto entre a placa ou biofilme dental e a superfície do dente.

Assim, consegue-se minimizar a retenção de resíduos alimentares e formação de biofilme na entrada das fissuras e áreas de difícil controle de higiene nas superfícies oclusais dos dentes posteriores. Devem, portanto, ser indicados somente em superfícies que necessitem desse controle.

Quando os selantes foram propostos, preconizava-se o selamento de todas as superfícies oclusais com o objetivo de prevenir o aparecimento de lesões de cárie nestas regiões.

Hoje, entretanto, a indicação desses materiais deve ser criteriosa. O profissional deve avaliar o risco do paciente e do dente de desenvolver lesão de cárie e o momento oportuno para a aplicação do selante. Além disso, deve ser levado em conta o grau de motivação do paciente e do seu núcleo familiar em relação à higiene bucal.

As superfícies oclusais são responsáveis por cerca de80 a90% das lesões de cárie e apresentam risco três vezes maior de desenvolvimento de novas lesões quando comparadas com as superfícies lisas.

Isto ocorre devido à forma desta superfície que apresenta muitas fóssulas e fissuras, que favorecem o acúmulo de biofilme dental.

O dente em irrupção também apresenta um risco maior de desenvolver lesões de cárie, por ser mais difícil de ser higienizado, não ter ainda o contato com o antagonista (que favorece a remoção do biofilme) e pela própria imaturidade do esmalte, que ainda é muito poroso, e mais suscetível à sofrer dissolução na presença de ácidos. Todavia, não é necessário que todos os dentes em irrupção sejam selados. Os riscos devem ser avaliados caso a caso.

Se o paciente apresenta uma lesão de cárie inativa, não é necessário selar a lesão, pois a mesma já está paralisada e os fatores causadores da doença e os protetores estão em equilíbrio, nesse caso está indicado o monitoramento da lesão.

Evidências científicas atuais apontam para  a possibilidade de se usar selantes de fóssulas e fissuras em molares decíduos e permanentes envolvendo dentina.

As teorias atuais mostram que o biofilme sobre a estrutura dentária é o responsável pelo avanço das lesões e não as bactérias presentes no tecido cariado. Logo, colocando-se selante sobre essa superfície haveria a paralisação das lesões. No entanto, esta terapia só se mostra efetiva se o selante permanecer intacto. Por isso o acompanhamento das superfícies seladas é imprescindível, além do controle dos fatores causadores da doença.

Os tipos de selantes que podem ser usados são os resinosos e os de ionômero de vidro. Os cimentos resinosos apresentam uma retenção maior. Portanto o selante quando bem indicado e corretamente aplicado nos dentes posteriores, apresenta uma redução da cárie dentária.

* Lúcia Coutinho

 

Artigos Relacionados

Share

About Author

Marta Meireles

Pequena descrição falando de cada membro (médico ou colaborador) do site.

(0) RComentários dos Leitores

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *