Destaques — 14 fevereiro 2014
Alterações gengivais na infância e adolescência

A cavidade oral pode ser dividida em: dente, periodonto e demais tecidos.

Quando nos referimos à gengiva (tecido gengival) não se faz alusão apenas ao tecido vermelho que circunda os dentes, mas a todo o tecido de sustentação, que inclui: ligamento periodontal e tecido ósseo alveolar.

As doenças gengivais são processos infecciosos causados por biofilmes bacterianos, primariamente constituídos por micro-organismos residentes na cavidade oral, e, em estágios mais avançados por micro-organismos oportunistas.

As bactérias que provocam doenças gengivais não são as mesmas que provocam cárie. Portanto, alguém que seja livre de cárie, não está necessariamente, protegido da doença gengival.

Na gengivite existe a inflamação dos tecidos gengivais, com aumento de volume, vermelhidão e sangramento. Neste caso, não há comprometimento do osso alveolar e aplicando-se medidas de higiene corretas, consegue-se reverter o processo, sem sequelas.

A gengivite crônica é a infecção periodontal mais comum entre crianças e adolescentes. Ela pode ser causada pelo acúmulo de biofilme (a forma mais frequente), alteração hormonal (o aumento dos níveis de hormônios sexuais, estrógeno e progesterona durante a gravidez, a puberdade ou em pacientes que fazem uso de contraceptivos orais) por medicamentos e outros.

Embora não exista uma relação direta entre gengivite na infância e problemas periodontais na vida adulta, o correto diagnóstico e tratamento em crianças e adolescentes são importantes, pois a periodontite é sempre precedida de uma gengivite.

Na periodontite, que é uma doença mais séria,  além dos sinais clínicos da gengivite, existe a perda óssea e destruição do ligamento periodontal e o dente perde sua inserção nos alvéolos, quando tratado volta a ser uma gengiva saudável, no entanto, a perda óssea é irreversível.

A periodontite é uma doença mais prevalente na idade adulta, devido aos tipos de bactérias que a provocam serem mais frequentes em uma flora oral madura.

Muitos fatores estão associados ao risco de doença periodontal, incluindo o fumo, diabetes, estresse, idade e osteoporose, aids e medicamentos como anticonvulsivantes.

A literatura mostra que a prevalência de gengivite em adolescentes varia de 59,00% a 70%.

Isso ocorre, provavelmente, porque na puberdade há um aumento dos sinais clínicos da gengivite em razão das alterações hormonais. Os hormônios estrógeno e progesterona potencializam a resposta vascular e inflamatória perante o fator irritativo que é o biofilme dental.

Considerando que a prevalência de gengivite é tão alta na adolescência, e quando não controlada pode preceder uma periodontite na fase adulta, não se deve medir esforços para prevenção das doenças gengivais nessa fase, quando ainda são reversíveis.

Portanto é muito importante se fazer o diagnóstico precoce, a orientação de higiene e o tratamento adequado para esta fase.

* Lúcia Coutinho

  “As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e o acompanhamento de Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Pediatria e outros especialistas”

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