Destaques — 07 janeiro 2014
Principais cuidados odontológicos na gravidez

Durante a gestação aumentam alguns riscos para a saúde bucal da gestante.

Em primeiro lugar, as náuseas frequentes, muitas vezes são impeditivas de uma higienização satisfatória. Associado ao fato de que as alterações hormonais da gravidez aumentam a resposta inflamatória a um mesmo fator irritativo (no caso, a placa ou biofilme dental), podem se manifestar gengivites e até periodontites no período gestacional lembrando que a periodontite durante a gravidez, se deixada sem tratamento, tem sido associada com o nascimento prematuro de bebês e com o baixo peso ao nascer.

Devido, ainda, à dificuldade de higienização bucal e a ingestão mais freqüente de alimentos pastosos, compostos de carboidratos –pode ocorrer o aparecimento e/ou recorrência de lesões cariosas, comprometendo dentes hígidos e restaurações.

Uma alternativa para pacientes que relatam náuseas durante o contato com a escova dental é o emprego de escovas menores, denominadas unitufo/bitufo macias ou extra-macias, circundando o colo dos dentes (dente a dente), sem creme dental e com leve pressão.

Em alguns casos, a ocorrência de enjoos e vômitos também pode contribuir no estabelecimento de processos de descalcificação do esmalte dental, denominado erosão dental, pela atuação do suco gástrico. Nesses casos, as gestantes devem ser orientadas para evitar a escovação dental por cerca de uma hora após o vômito para minimizar a erosão dental causada pela exposição ácida originária do estômago.

Quando um processo erosivo se estabelece, o uso tópico de flúor (colutórios, cremes dentais ou aplicação tópica profissional) deve ser indicado para minimizar a perda de tecido duro e controlar a sensibilidade da dentina exposta.

Todo tratamento odontológico essencial deve ser realizado durante a gestação, incluindo as exodontias não complicadas, tratamento periodontal, restaurações dentárias, tratamento endodôntico (considerando o emprego de localizador apical, máximo de 4 tomadas radiográficas, o uso de filmes radiográficos ultra-rápidos e avental de chumbo, devendo ser o tratamento endodôntico realizado por especialista), etc.

Por uma questão de bom senso, as reabilitações oclusais extensas e cirurgias mais invasivas devem ser programadas para o período pós-parto, sempre que possível.

Todo procedimento que vise diminuir o grau de infecção cariosa e periodontal da gestante deve ser indicado durante o período gestacional. No entanto, procedimentos dentais invasivos requerem certas precauções durante a gravidez, particularmente durante o primeiro trimestre gestacional.

Restaurações eletivas e terapias periodontais devem ser feitas durante o segundo trimestre da gestação, enquanto reabilitações mais extensas devem ser evitadas até o período pós-parto. O que a gestante não deve apresentar durante a gestação são focos bucais de infecção. Caso haja necessidade de uso de anestésico local, o de escolha é a lidocaína a 2% com vasoconstritor, que pode ser a adrenalina a 1:100.000 ou noradrenalina a 1:50.000, respeitando-se o limite de dois tubetes (3,6 ml) por sessão e a técnica de aspiração prévia.

Esta também é a fase em que se há mais receptividade para a inclusão de hábitos saudáveis, que implicam na redução do estresse e exclusão de hábitos nocivos.

Com a motivação aumentada há maior facilidade de que estas informações sejam assimiladas e integradas ao cotidiano destas futuras mães.

* Lúcia Coutinho

 “As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e o acompanhamento de Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Pediatria e outros especialistas”

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Marta Meireles

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