Destaques — 24 junho 2013
Traumatismo na dentição decídua…situação de urgência!

O traumatismo na dentição decídua apresenta alta prevalência principalmente na faixa etária dos 2 aos 4 anos de idade.

Esta fase é marcada pela inquietação e imaturidade motora e as quedas e colisões durante as brincadeiras tornam a boca alvo frequente de traumas que podem acarretar consequências desastrosas, independente da gravidade do impacto no momento da ocorrência do traumatismo. Portanto, nenhum caso de trauma deve ser negligenciado e a busca por atendimento imediato é soberana na prevenção de efeitos deletérios nos dentes sucessores permanentes.

A saúde física geral de toda criança que apresenta uma injúria traumática em dentes decíduos é muito mais importante do que seu próprio dente, assim como a preservação da integridade do germe do dente permanente sucessor é também mais importante do que o dente decíduo injuriado.

Deste modo, estabelece-se uma sequência de atendimento de forma a  priorizar possível dano á saúde geral da criança, seguida da avaliação das possíveis repercussões no dente permanente sucessor e, por fim, eleger a melhor conduta clínica a ser seguida no tratamento do dente decíduo acometido.

A decisão de salvar o dente decíduo deve ser tomada junto com os pais, levando-se em consideração o risco/benefício  de um procedimento clínico e a necessidade de longo período de acompanhamento clínico e radiográfico para detectar o mais precocemente possível quaisquer efeitos nos sucessores permanentes em desenvolvimento.

As repercussões decorrentes de traumatismos na dentição decídua dependem do grau de deslocamento do ápice radicular do dente decíduo, grau de lesão alveolar e estágio de formação do dente permanente. Assim, um atendimento clínico efetivo deve ser realizado por meio de anamnese criteriosa, exame clínico cuidadoso, não somente da área afetada diretamente, mas também das estruturas adjacentes, atendimento imediato e oportuno e proservação clínica e radiográfica periódicas.

As lesões traumáticas são classificadas em lesões dos tecidos moles, como laceração da mucosa labial, da gengiva, do assoalho bucal e da língua, e lesões traumáticas dentárias.

Estas envolvem: concussão, subluxação, deslocamentos dentários como a intrusão , extrusão e avulsão, fraturas coronárias com ou sem comprometimento pulpar e  fraturas corono-radiculares.

A repercussão destas injúrias na dentição permanente pode  variar desde uma hipoplasia de esmalte até a interrupção completa da formação do dente permanente.

A gravidade das alterações no dente sucessor depende de vários fatores, tais como: força do impacto do traumatismo, direção do impacto, tipo de traumatismo ocorrido e idade da criança no momento da ocorrência do mesmo. Quanto mais jovem a criança, maior será o dano.

Em relação ao tipo de lesão traumática, a intrusão está associada a distúrbios de desenvolvimento do germe do sucessor de maior gravidade, representando portanto  pior prognóstico, tanto para o dente decíduo como para o permanente.

Diante do exposto, fica evidente que na dentição decídua o traumatismo dental é muito comum, considerado um problema grave e uma situação de urgência. Ou seja, a consulta imediata ao odontopediatra é imprescindível , uma vez que o tempo transcorrido entre o acidente e o atendimento inicial será um fator determinante na escolha do tratamento, bem como influenciará diretamente o prognóstico.

* Lúcia Coutinho

“As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e o acompanhamento de Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Pediatria e outros especialistas”

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