Destaques — 12 janeiro 2013
Sucção sem fins nutritivos: dedo e chupeta

Desde a vida uterina o ser humano suga instintivamente, a língua, os lábios e os dedos, de tal forma que, ao nascimento, a função de sucção já está plenamente desenvolvida.

A boca e a sucção são extremamente importantes para o recém-nascido, pois é por meio delas que ele se alimenta,sente prazer e se sente seguro.

O impulso neural da sucção é normal na criança e garante a sua sobrevivência. A par disso, a sucção é considerada a primeira fase da mastigação.

O intenso trabalho muscular necessário para os movimentos de ordenha do peito, que são abaixar, protruir, levantar e abaixar a mandíbula.

A sucção não nutritiva é o ato de sugar um objeto, em geral a chupeta ou o dedo, não relacionado à alimentação.

Segundo alguns autores, esse hábito é decorrente da sucção insuficiente do seio materno ou da mamadeira, o que faz com que a criança procure substitutos para satisfazer às suas necessidades emocionais.

Duas outras teorias que explicam este tipo de sucção são os distúrbios psicológicos durante a fase oral do desenvolvimento e o aprendizado, que não descreve vínculos emocionais associados aos hábitos de sucção não nutritiva e defende que este comportamento é adquirido por respostas adaptativas durante estágios precoces do desenvolvimento e que se repete apenas com um costume.

A sucção dos dedos tende a se manifestar no primeiro ano de vida, mas pode ocorrer até que a criança tenha oito anos de vida. As crianças que mantêm esse hábito relatam que apreciam o gosto de seus dedos porque esse gosto se parece com suco, refrigerante, bala e doce.

A prevalência de sucção não nutritiva é alta, mas tende a descrever com o aumento da idade. Ainda assim, a literatura registra que o uso da chupeta é mais facilmente abandonado pelas crianças do que a sucção de dedos.

Para determinar se um hábito é deletério ou não é necessário que se avaliem a freqüência, duração e intensidade desse hábito, bem como o padrão de crescimento do paciente. Os maus hábitos mantidos depois dos três anos de idade ou que apresentarem alta freqüência durante o dia e a noite são considerados mais deletérios e capazes de provocar maloclusões mais severas.

Assim sendo, quanto mais precocemente a criança abandonar o hábito, maior será a probabilidade de reverter naturalmente o quadro. No entanto, vale ressaltar que a autocorreção pode ser comprometida pela presença de distúrbios funcionais, como projeção da língua, interposição do lábio, respiração bucal e mastigação unilateral viciosa, originados dessa sucção.

O primeiro momento para a remoção do desmame ou do hábito de sucção seria a etapa de início do desenvolvimento funcional, na qual a maturação das funções do sistema muscoloesquelético e o surgimento dos primeiros dentes indicam a necessidade de introduzir uma alimentação que privilegie a função mastigatória, e não a de sucção.

Sendo assim, a função de  sucção deve ser gradativamente substituída pela mastigação, levando a um estímulo mais correto da estruturas bucofaciais.

A segunda idade é considerada a idade da forma, ou a idade limite para que a sucção alimentar ou habitual não prejudique a forma anatômica do esqueleto facial, das arcadas dentárias e da musculatura facial.

Sabe-se que a manutenção da sucção além dos 4 anos de idade promove efeitos deletérios irreversíveis na configuração da face. A terceira idade a ser considerada é a idade da emotividade, pois, muitas vezes, o hábito da sucção tem suas raízes nesse desenvolvimento e, portanto, deve ser observado e, quando necessário, avaliado.

O ideal seria que a remoção do hábito de sugar ocorresse entre um ano e meio e dois anos de idade. Para remover o hábito de sucção  não nutritiva, pais e profissionais devem aconselhar e motivar as crianças de maneira construtiva, por meio de diálogos, fotografia, filmes, tabelas e modelos, sempre reforçando o lado positivo.Frases como: “Você fica muito mais bonito (a) sem a chupeta” são muito mais eficazes do que repreensões, punições e/ou humilhações como “Tire o dedo da boca” ou “Você vai ficar horrível se continuar com a chupeta”, que podem trazer frustrações futuras.

A criança deve entender que está crescendo, que já não é mais um bebê, e que deve cuidar para que sua boca não se deforme e que seu sorriso seja bonito.

No caso de crianças pequenas, que têm o hábito de sucção digital, deve-se orientar os pais que ofereçam às crianças atividades lúdicas e que estimulem o uso das mãos, de modo que, distraindo-se com outras atividades, a remoção do hábito seja suave e paulatina.

Quando o bebê mantém o hábito de sugar a chupeta, devem ser indicadas aquelas que têm bicos com formatos anatômicos, para que o palato e a língua distribuam melhor as forças durante o movimento de sucção, discos de plástico com formato côncavo e perfurados, que dão suporte à musculatura peribucal e evitam o acúmulo de saliva e a conseqüente irritação da pele e que não tenha argolas, para que esta não seja presa a cordões, fraldas ou correntes.

Em casos dessa natureza, também se pode lançar mão do uso de mordedores que, além de auxiliarem a erupção dos dentes, estimulam a curiosidades e minimizam a dependência da sucção.

Deve-se destacar que, em qualquer dos quadros de sucção não nutritiva apresentados, o uso de aparelhos ortodônticos,ortopédicos devem ser tidos como último recurso.

Além disso, a avaliação do psicólogo nas situações de prolongamento deste hábito é fundamental para a identificação de algum fator emocional envolvido e que esteja influenciando na permanência do hábito de sucção.

O suporte psicológico nos casos de uso prolongado de chupetas ou de sucção digital, apesar de nem sempre serem bem aceitos pela família, pode ser crítico para o sucesso da superação da fase oral e restabelecimento do desenvolvimento.

* Livro: Ortopedia e Ortodontia para dentição decídua; Chedid; S.J

“As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e o acompanhamento de Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Pediatria e outros especialistas”

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Marta Meireles

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