Destaques — 27 dezembro 2012
A aquisição de uma nova língua aos 2 anos de idade

As mudanças em nossas vidas sempre são muito desafiadoras.

No início de outubro desse ano, nos mudamos para os EUA para estudar.

Nós temos uma filha de apenas 2 anos chamada Cléo e ficamos um pouco preocupados com a sua adaptação diante desse novo desafio: aprender uma nova língua, sem estar com a primeira fluente.

Eu sinto que para nós foi bem mais difícil do que para ela, a criança de dois anos não gasta tempo se preocupando como vai falar, ou se frustrando porque ainda não conseguiu se comunicar. Nós fazemos isso, elas simplesmente agem de forma natural e aprendem brincando. Nós temos muito a aprender com ela.

Eu gastei muitos dias triste em meu quarto porque eu não entendia nada do que as pessoas falavam, a Cléo falava com todos, mesmo que não a entendessem e aos poucos eu fui percebendo que ela começou a falar algumas palavras mais comuns da língua inglesa, como: Hi, Hello, See you, bye. Então eu comecei a relaxar diante da situação e aprendi com ela a não ser tão exigente comigo mesma, porque mais cedo ou mais tarde eu iria aprender.

Nós tínhamos aula de manhã e de tarde, esse foi mais um desafio porque ela só estava acostumada a estudar um período e o outro nós ficávamos com ela.

Aqui, infelizmente nós não tínhamos essa opção e então de manhã ela ficava na cheche com professoras americanas, mexicanas e uma brasileira e muitas crianças e a tarde ela ficava sozinha com uma voluntária americana. Foi então que eu acho que ela sentiu o choque cultural.

No início, ela não entendia o que a professora falava, a professora também não entendia o que ela queria e a Cléo sempre chorava muito para ficar na escolinha no período da tarde.

Isso partiu meu coração, muitas vezes eu a deixei na salinha chorando e tive vontade de chorar também. Nós seres humanos somos muitos adaptáveis, eu percebi que com o passar dos dias, umas três semanas depois, ela começou a se adaptar. Eu explicava para ela que eu e o meu marido íamos estudar e depois nós voltaríamos para buscá-la, então ela já não chorava mais e brincava com sua professora americana a tarde toda.

As professoras me falaram que a Cléo já estava entendendo muita coisa, porque no começo ela não correspondia e dois meses depois, ela estava bastante adaptada a nova língua.

É verdade que ela ainda fala muito pouco a sua segunda língua, o inglês e eu creio que o português também bloqueou um pouco no período em que nós chegamos. Com certeza causou uma grande confusão na sua mente, não só porque era uma nova língua, mas porque nós também convivíamos com pessoas de outras nacionalidades, como Koreanos, Mexicanos, Africanos.

Agora, depois de quase três meses, eu começo a ver o processo de adaptação da nova língua da nossa filha e fico muito feliz com a forma que ela encarou o desafio: simplesmente brincando.

Nós verdadeiramente temos muito o que aprender com nossos filhos, assim a vida passa a ser bem mais leve.

* Janaína Castro

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Marta Meireles

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