Destaques — 13 setembro 2012
Respiração Bucal

A respiração é o primeiro reflexo do bebê ao nascer. A passagem do ar pelo nariz, desde o primeiro momento, vai estimular o crescimento da cavidade nasal.

A amamentação materna tem papel fundamental no desenvolvimento da boa função respiratória da criança. A falta desse estímulo pode dar origem à respiração bucal, porém devemos observar que a respiração bucal pode apresentar outras causas, que serão determinadas pelo diagnóstico de um otorrinolaringologista, junto ao ortodontista, ortopedista funcional dos maxilares e ao fonoaudiólogo.

Essas outras causas podem ser rinite alérgica, hipertrofia de adenóides ou de amídalas, desvio de septo nasal, hipertrofia de cornetos e presença de pólipos nasais.

A criança, ao respirar pela boca, estará transgredindo uma função, o que pode levar a uma deformidade. O ar inspirado pelo nariz é filtrado, aquecido e umidificado, sendo totalmente adequado aos nossos pulmões. O ar que entra pela boca não é filtrado, é frio e seco, levando bactérias e ácaros diretamente aos pulmões.

A respiração bucal pode ser observada quando a criança está dormindo.

Como o ar que vem pelo nariz tem maior volume, permite maior oxigenação dos tecidos e órgãos do corpo, estimulando a cavidade nasal e desenvolvendo o seu assoalho. O assoalho nasal faz parte da mesma estrutura do palato (céu da boca). Com a respiração bucal, o palato fica mais profundo, deixando a arcada deformada e a cavidade nasal atrofiada, devido à falta de estimulo pela passagem de ar pelo nariz.

Atualmente, a respiração bucal é considerada uma síndrome, na qual percebemos varias características de desequilíbrio funcional.

Os pais devem estar atentos às características físicas do respirador bucal, geralmente as seguintes:

- Boca aberta;

- Lábio superior encurtado (não tem fecha-lábios);

- Lábio inferior sem tonicidade muscular;

-  Língua baixa e para frente;

- Nariz de base estreita;

- Olheiras (não há boa oxigenação);

- Bochechas caídas;

- Distraído, sem concentração.

O respirador bucal geralmente apresenta postura corporal inadequada, olhar distraído e abatido, lábios ressecados e dentes projetados.

A criança que respira pela boca pode sofrer alterações como as seguintes:

- Crescimento e desenvolvimento das estruturas dentofaciais e musculares inadequados (assimetria de face, maloclusão);

- Problemas respiratórios (rinites, sinusites, bronquites, otites);

- Deglutição atípica (a criança engole errado);

- Mastigação com a boca aberta, engolindo ar ao mesmo tempo;

- Dificuldades na fala;

- Eixo corporal alterado (cabeça para a frente ou para trás, ombros para frente);

- Desenvolvimento intelectual comprometido (baixo nível de atenção, diminuição da capacidade de concentração);

- Tórax estreito.

 A respiração bucal pode se tornar crônica se não for tratada.

A respiração nasal pode ser estimulada através da Fonoaudiologia, desencadeando reflexos neuromusculares através de exercícios que favoreçam o fechamento da boca.

Em relação à saúde bucal, o respirador bucal terá uma gengivite quase permanente, causada pela constante passagem de ar, que resseca a gengiva e favorece a proliferação de bactérias.

Também terá lábios ressecados, e o hábito de umedecê-los com a língua aumentará o ressecamento logo em seguida.

A relação multiprofissional para tratar cada caso é muito importante. Os profissionais indicados são das áreas de odontopediatria, otorrinolaringologia, ortodontia, ortopedia e fonoaudiologia.  É preciso avaliar o momento certo de cada especialidade intervir e tratar. Após determinar a causa da respiração bucal, uma readaptação da parte muscular e respiratória deve ser realizada.

A fonoaudiologia tem função importante na tonificação muscular, ao fortalecer o vedamento labial. A terapia fonoaudiológica poderá ser realizada no final ou logo após o tratamento ortopédico-ortodôntico, conforme o caso.

A fisioterapia corporal pode auxiliar na correção dos problemas posturais.

O tipo de maloclusão causada pela respiração bucal é semelhante à da sucção não nutritiva, porém o envolvimento muscular facial é muito maior e mais complexo.

*Fonte: Livro Saúde Bucal do Bebê ao Adolescente - 2ª Edição; Correia, M.S.N

“As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e o acompanhamento de Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Pediatria  e outras especialidades”

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Marta Meireles

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