Destaques — 26 julho 2012
Aleitamento artificial e o vínculo mãe-bebê:

Entre as funções dos cuidados com o bebê encontra-se a amamentação que busca atender suas necessidades nutricionais.  Porém, a amamentação aqui entendido como o ato de amamentar no peito ou na mamadeira, também é emocional, pois a amamentação do bebê, seja ela natural ou artificial, constitui um fator determinante na qualidade do vínculo mãe-bebê.

Aqui quando usamos a palavra  “mãe” nos referimos à figura da pessoa que cuida da criança. 

Os estudiosos da psicologia analítica que se dedicaram ao desenvolvimento infantil defendem a importância do papel da mãe como captadora das necessidades da criança. É desta forma que ela ajuda a criança a se reconhecer como individuo único, a se conectar consigo mesma. Quando a mãe, no encontro com seu filho consegue atender as suas necessidades, possibilitando desta forma o seu desenvolvimento físico e psíquico.  A criança adquire nesta perspectiva um papel mais ativo na sua própria formação.

A criança experimenta o mundo através da mãe, assim, o momento em que o bebê está em contato com a pessoa que o está amamentando repercute fortemente em seu desenvolvimento, pois envolve amparo, nutrição, acolhimento, segurança e amor.  A qualidade da relação e interação com o bebê é muito importante para que ele possa integrar a sensação de algo bom, de ser cuidado e ser preparado para enfrentar os desafios do mundo e tudo o que se passa ao seu redor.

O momento da amamentação deve ser cuidadosamente preparado para que seja algo sentido tanto pela mãe como pelo bebê como um momento de sossego, calmo e tranquilo. Assim, deve se evitar tumultos, conversas estressantes, enfim, tudo que possa prejudicar esse momento. A alimentação deve ser associada ao conforto!

A mãe, o colo, o leite e a própria mamadeira são estímulos fortes para a criança a qual, por meio dos deles desenvolve seus cincos sentidos olfato, paladar, tato, audição e visão.

Mas nem sempre esse momento tão sublime foi reconhecido. Na história da humanidade podemos verificar que a questão do aleitamento materno foi se modificando ao longo dos anos. Durante muito tempo, em épocas passadas nas classes mais abastadas, a amamentação não era considerada uma função e um privilégio da mãe.  Em muitos países europeus, o aleitamento materno estava a cargo de amas- de- leite.

Hoje esse quadro nos parece muito longe da nossa realidade.  Pois sabemos a importância da amamentação seja ela natural ou artificial e da qualidade dela na vida do bebê.  Podemos citar que esse ato tem a importante função de reparar a separação sentida pelo bebe e pela mãe no momento do parto, ajudando-os a superar a experiência traumática que essa separação abrupta pode ter ocasionado.  A separação provocada pelo nascimento pode ser amenizada por meio da experiência do aleitamento materno, uma vez que ele ajuda a restabelecer a intimidade entre mãe e bebê.

A qualidade do aleitamento materno no desenvolvimento da criança

Algumas perturbações psicológicas em adultos podem ter sua gênese na infância. Por exemplo, quando a criança é privada de experiências de alimentação que envolve uma relação próxima com sua mãe. Transtornos alimentares também podem se resultados de um vínculo não suficientemente bom entre mãe- bebê, muitas vezes uma mãe ansiosa não consegue alimentar seu filho, dando atenção ao seu ritmo e da sua sucção e ao mesmo tempo acalentá-lo. Quando as crianças são alimentadas em ambientes tensos e tumultuados elas podem associar a ingestão do alimento como uma forma de se proteger do desamparo sentido em relação à mãe, ou à pessoa cuidadora.

Os efeitos benéficos da qualidade do aleitamento materno artificial na interação mãe-bebê estão ligados à interação social da criança. Estudos mostram que as crianças amamentadas com atenção, tranquilidade e contato físico apresentam-se mais espontâneas, tem iniciativas positivas em seu meio ambiente e responde bem aos estímulos externos.

Portanto, é fundamental que a mãe promova e experimente por meio do aleitamento materno artificial uma experiência que única ao seu bebe e a ela mesma. Numa interação há trocas, assim, mãe estimula o bebê e esse estimula sua mãe.

* Maria Silvia Pessoa

“As informações e sugestões contidas neste site têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e o acompanhamento de Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Pediatria e outros especialistas”

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Marta Meireles

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