Notícias — 05 julho 2012
Filhos amamentados por mais de dois anos causam controvérsia

Recentemente, a revista americana Time estampou na capa uma mãe amamentando o filho de três anos. O garoto utilizava um banquinho para alcançar o seio materno. A imagem causou polêmica e foi repercutida em vários jornais e revistas mundo afora.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), não há uma idade limite para o desmame. Já a Organização Mundial de Saúde – OMS – preconiza o aleitamento exclusivo até os seis meses de idade, e recomenda que as crianças continuem sendo amamentadas no peito por até, pelo menos, dois anos. Ainda segundo dados da OMS, a média de idade de desmame, em todo o mundo, é de 4,2 anos.

Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria apontam que a amamentação regular, por seis meses, reduz 17 vezes as chances de a criança contrair pneumonia, 5,4 vezes a possibilidade de anemia e 2,5 vezes a ameaça de crises de diarréia.

Para o pediatra do Einstein, Dr. Claudio Schvartsman, o prolongamento da amamentação por dois anos é uma questão difícil de ser respondida. Para ele, a introdução de novos alimentos deve ocorrer aos 6 meses de idade (com frutas, cereais e sopas), mas o leite deve ser o materno até 1 ano de idade. “Todas as sociedades científicas concordam que 6 meses de aleitamento exclusivo é recomendado, afirmam ainda que a decisão de continuar o aleitamento após este período deve levar em conta o contexto social da mãe, a sua própria decisão e as necessidades da família.”

Adalberto Stape, pediatra do Einstein, afirma que não existe um limite para o desmame e também acredita que a decisão da mãe é extremamente cultural, que irá depender dos costumes da sociedade e das condições que esta mãe está submetida durante o período de amamentação. “Desde que os princípios de uma alimentação saudável estejam ocorrendo e exista uma relação saudável também entre mãe e filho, não há problema em retardar o desmame”, esclarece.

Milena De Paulis, também pediatra do Einstein, aposta na decisão individual da mãe e que o ato de amamentar deva ser prazeroso tanto para a mãe quanto para o filho. “O mais importante é que esta amamentação não envolva neuroses, o que deve sobressair é o bom senso e o respeito. Assim, o limite de quando parar virá naturalmente.”

Alguns estudos apontam que o aleitamento prolongado possui várias vantagens para as crianças:

Elas adoecem menos. Apesar da criança mamar pouco, os fatores de imunidade aumentam a sua concentração no leite materno;
Possuem menos alergias, já que a introdução do leite de vaca é retardada;
As crianças seriam mais “ajustadas” socialmente, o que pode trazer mais segurança e independência a elas, visto que a amamentação é um ato amoroso de aconchego e segurança para o filho.
“Engana-se quem acha que o leite materno perde as suas propriedades nutritivas e imunológicas após os dois anos de idade. Ele supre 30% das necessidades energéticas da criança e o seu teor de vitamina A chega a suprir 45% da necessidade diária desta vitamina, já o teor de vitamina C supre 95% das necessidades diárias”, explica a Dra. Milena De Paulis.

A pediatra acrescenta ainda que a amamentação prolongada traz vários benefícios também para a mãe: diminui a fertilidade, reduz o risco de câncer de ovário, de útero e endométrio, protege contra a osteoporose, reduz alguns tipos de câncer de mama, além da mãe conseguir perder peso mais facilmente. Mesmo assim, o aleitamento prolongado divide opiniões.

A mãe Juliana Solano é contra a amamentação por mais de 24 meses. “Não acho saudável psicologicamente nem para a mãe, nem para o bebê esta dependência que se reforça pelo período tão longo de amamentação”.

Já Luciana Shimoda, mãe de cinco filhos, é totalmente a favor da amamentação por mais de dois anos. “Dou o peito a hora que eles me pedem. É a vacina natural que eu posso dar a eles. Claro que no começo é difícil, o peito incha, o leite empedra, o bico do seio racha, mas é gratificante lutar pelo aleitamento e ver seu filho crescendo no seu colo. A cada mamada, eu percebo o crescimento e o desenvolvimento deles, é mágico.”

O pediatra Adalberto Stape, complementa: “Nós pediatras temos lutado para conseguir uma amamentação exclusiva até o sexto mês, e manter a amamentação ao seio pelo maior tempo possível. Não existe uma idade, mas espera-se que a criança atinja os três anos com a habilidade de receber o alimento de outras maneiras e por meios próprios.”

*www.einstein.br

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Marta Meireles

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